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24/04/2018

PIB do agronegócio se mantém estável no início de 2018

Por CNA em parceria com Cepea/Esalq-USP

O Produto Interno Bruto (PIB) do Agronegócio Brasileiro, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), iniciou 2018 com relativa estabilidade. A leve baixa de -0,08% em janeiro é resultado das estimativas de retração de -1,95% no segmento primário do agronegócio e de crescimento de 0,18% dos agrosserviços, 0,51% dos insumos e 0,87% da agroindústria. (Tabela 1)[1].

Já os desempenhos específicos dos ramos agrícola e pecuário constam das tabelas 2 e 3 a seguir. Enquanto o ramo agrícola observou ligeira alta de 0,04% em janeiro de 2018 (ver tabela 2), o pecuário registrou queda de -0,37% (ver tabela 3).               

No caso do ramo agrícola, apenas o segmento primário (dentro da porteira) apresentou retração (-2,76%), refletindo os baixos preços dos produtos agrícola vigentes desde 2017, em um contexto de forte incremento de produção. Na análise restrita ao mês de janeiro de 2018 frente ao mesmo período de 2017, estima-se ligeiro aumento (0,24%) na produção e forte queda (-9,56%) de preços considerando-se as médias ponderadas dos produtos acompanhados.

Ainda no ramo agrícola, os segmentos de insumos, agroindústria e agrosserviços apresentaram desempenho positivo no primeiro mês de 2018: 1,07%, 1,14% e 0,43% respectivamente.

Já a retração do PIB do ramo pecuário em -0,37% em janeiro de 2018, reflete uma retração mensal em todos os seus segmentos. A retração foi menor na agroindústria (-0,17%) e maior no segmento de insumos (-0,62%). Os agrosserviços encolheram -0,32% e o segmento primário (dentro da porteira) -0,55%.

A queda no PIB pecuário foi derivada da baixa demanda interna e da queda no volume exportado de algumas proteínas, particularmente aves e suínos. A baixa demanda - nacional e externa – levou, portanto, a quedas de preço ao longo das cadeias pecuárias. Importante destacar que, diante da indisponibilidade de dados de produção de algumas atividades do ramo pecuário, o presente relatório considera, nesses casos específicos, apenas as respectivas variações de preço.

Relativamente aos lácteos, os preços também seguem enfraquecidos, porém já com sinais de recuperação diante do melhor equilíbrio entre oferta e demanda desses produtos no início de 2018.

SEGMENTO DE INSUMOS: Atividade de máquinas agrícolas inicia 2018 em alta

O segmento de insumos do agronegócio registrou alta de 0,51% em janeiro/18. Para o ano de 2018, dentre as indústrias do segmento de insumos acompanhadas, projeta-se queda no faturamento apenas para rações (-10,71%). Para as demais a expectativa é de expansão em 2018, conforme apresentado na Figura 1, que traz a variação anual estimada do volume, preços reais e faturamento das indústrias de insumos.

Figura 1. Insumos: variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento – 2018/2017 com informações até jan/2018*

A indústria de máquinas agrícolas iniciou 2018 com alta de 26,84% na projeção de faturamento, motivada principalmente pela expectativa de crescimento de 23,50% na quantidade produzida. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), os agentes relacionados à atividade estão otimistas com relação a 2018, com as expectativas de expansão do crédito rural e continuidade da recuperação do mercado, iniciada em 2017.

Na indústria de fertilizantes, a elevação prevista no faturamento é motivada pela alta de 10,93% nos preços reais de janeiro/18 com relação a janeiro/17. Segundo análise da INTL FCStone, as cotações de fertilizantes nitrogenados e fosfatados apresentaram tendência altista no início de 2018, impulsionadas pela elevada demanda internacional, notadamente da China, Estados Unidos e Índia.

Já para os defensivos, projeta-se elevação da quantidade, mas os preços recuaram levemente em janeiro/18 com relação ao mesmo mês do ano anterior. No entanto, expectativas dos agentes de mercado indicam elevação das cotações na atividade nos próximos meses 2018. Segundo levantamento do Rabobank, a redução na oferta de matérias-primas e produtos importados da China deve influenciar na configuração deste contexto.

SEGMENTO PRIMÁRIO: Após safra recorde em 2017, projeção para 2018 indica apenas leve alta na produção

A renda do segmento primário do agronegócio apresentou resultado negativo em janeiro de 2018 (-1,95%). Neste mês, tanto para o ramo agrícola como para o pecuário[1], os segmentos primários registraram recuos, de -2,76% e -0,55%, respectivamente. Estes resultados estão associados ao comportamento de preços em janeiro/18, à previsão de volumes de produção para o ano e aos faturamentos das culturas agrícolas e atividades pecuárias em 2018, conforme a Figura 2 e a Tabela 4 apresentadas a seguir.

A produção do segmento primário agrícola, após forte crescimento em 2017, deve apresentar em 2018 apenas leve alta de 0,24% na média das atividades acompanhadas2. Já relativamente aos preços, os vigentes em janeiro de 2018 estão consideravelmente mais baixos comparativamente ao mesmo mês de 2017: -9,56% no ramo agrícola e -6,65% no ramo pecuário. Quanto ao faturamento, estima-se expansão para: algodão, batata, café, fumo, mandioca, tomate, trigo, madeira em tora, madeira para celulose e carvão. Já as culturas para as quais se espera queda no faturamento são: arroz, banana, cacau, cana-de-açúcar, feijão, laranja, milho, soja, e uva – Figura 2 e Tabela 4.

Figura 2. Agricultura: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento – 2018/2017 com informações até jan/2018
Fonte: Cepea/USP e CNA (elaborado a partir de dados do IBGE, Conab, IEA/SP, FGV, Cepea, Seagri/BA, Udop).                                                                                                                                            

Tabela 4. Agricultura: Variação (%) anual do volume, dos preços e do faturamento– 2018/2017 com informações até jan/2018

Dentre as culturas com perspectivas de crescimento de faturamento em 2018 destaca-se o tomate, com expectativa de crescimento de 1,92% na produção e cujos preços, em janeiro/2018, revelaram-se 118% superiores ao patamar de um ano antes. De acordo com a Equipe Hortifruti/Cepea, no mês houve significativa redução da oferta, com a finalização da segunda parte da safra de inverno 2017. Além disso, o menor ritmo de maturação dos frutos e o elevado percentual de descarte derivados das condições climáticas adversas também pressionaram os preços. Desde o final de 2017, as chuvas no Sul e Sudeste seguem influenciando o mercado da tomaticultura em várias regiões produtoras. Além dos referidos efeitos climáticos, a equipe destaca a menor área de cultivo na safra de verão, que também contribui para a alta nas cotações.

Para o algodão, a perspectiva de alta no faturamento associa-se principalmente à elevação na produção estimada para 2018 (21,09%), já que alta de preços em janeiro/18 - comparativamente ao mesmo mês de 2017 – foi modesta (0,96%). Segundo dados da Conab, para a atual safra estima-se crescimento de 21,8% de área plantada com relação à safra passada, refletindo as boas perspectivas atuais do mercado – baseadas na comercialização da safra anterior –, que geraram um ambiente de otimismo no setor produtivo.

No caso do café, a projeção de alta de 13,43% no faturamento advém da projeção de crescimento de 30,11% na produção apesar da queda de 12,82% nos preços de janeiro/18, na comparação com janeiro/17. Segundo a Conab, neste ano a safra é de bienalidade positiva nas principais regiões produtoras, devendo ocorrer elevações significativas na produção tanto do arábica, quanto do robusta. Com relação a preços, segundo a equipe Café/Cepea, a queda em janeiro ocorreu em virtude da elevada oferta mundial, ainda referente à safra 2017/18, advinda dos principais países produtores do arábica e robusta, como Colômbia e Vietnã. Por outro lado, projeta-se que os estoques mundiais devem ser menores em 2018, e o consumo tende a seguir firme, o que pode determinar um piso para o preço do café em 2018, conforme avalia a Equipe.

Dentre as culturas para as quais as projeções são de redução do faturamento, destaca-se a soja, cuja evolução anual esperada de produção é de 0,92%. O preço do produto registrou baixa de 5,55% em janeiro/2018, com relação ao mesmo mês de 2017, dada a maior oferta e apesar da demanda internacional firme.

No caso do milho, verificam-se baixas tanto nos preços (-15,18%) de janeiro/2018 quanto na projeção anual de produção (-10,80%). Segundo pesquisadores da equipe Grãos/Cepea, após safra recorde do produto em 2017, e consequente forte queda nos preços internos, a área de milho verão da temporada 2017/18 deve ser a menor desde 1976/77. Segundo pesquisas do Cepea, além da menor rentabilidade com a cultura na última safra, a queda na área na safra 2017/18 está atrelada ao atraso na colheita da soja em algumas regiões brasileiras. Apesar disso, o alto estoque de passagem deve manter elevada a disponibilidade interna do milho e, com isso, os preços em baixo patamar.

Para a cana-de-açúcar, a projeção de redução no faturamento está associada principalmente à queda de -15,23% nas cotações do produto, mas contribui a queda de -2,2% na estimativa anual de produção. Segundo informações da Conab, a estimativa de menor produção reflete a redução de área disponível para a colheita nas principais regiões produtoras do país. Ainda segundo a Companhia, registra-se que áreas de fornecedores distantes das unidades industriais ou que não são aptas à mecanização não estão tendo os contratos renovados. Além disso, no momento de renovar os contratos de arrendamento e diante baixa rentabilidade relativa da cana-de-açúcar, muitos desses fornecedores têm alterado seus cultivos. Destaca-se ainda que a situação se agrava com o grande número de agroindústrias/indústrias do setor em recuperação judicial, adicionalmente afetadas pelas oscilações observadas nas cotações do açúcar, além dos problemas climáticos observados nas safras anteriores.

Já para o segmento primário da pecuária, diante da indisponibilidade de dados de produção, as variações de faturamento refletem exclusivamente a variação de preços.

Na atividade leiteira, os preços recuaram -15,85% na comparação de janeiro de 2018 com o mesmo mês de 2017. Segundo a equipe Leite/Cepea, apesar da baixa registrada em janeiro, a oferta de leite também tem se regularizado. Segundo a equipe, ainda que tipicamente o verão seja um período de maior captação de leite por conta das chuvas, as baixas cotações praticadas têm resultado em desaceleração da produção. Com isso, nos meses subsequentes (fevereiro e março), foram verificados aumentos nas cotações – ainda não considerados nas estimativas do PIB.

Na bovinocultura de corte, verifica-se leve redução de -0,98% nos preços reais de janeiro/18 com relação ao mesmo mês do ano anterior. Segundo a equipe Boi/Cepea, passado o mau momento da cadeia pecuária, verificado em 2017, o setor iniciou 2018 mais otimista. Em termos gerais, espera-se um cenário economicamente favorável neste ano, tanto na esfera internacional como na nacional, que pode beneficiar toda a cadeia da carne bovina, inclusive a produção primária. No primeiro mês do ano, no entanto, a equipe destaca que o ritmo de negócios envolvendo boi gordo foi lento, e que novos lotes de animais para abate foram adquiridos apenas quando houve necessidade por parte dos frigoríficos, com a sinalização por parte destes que o mercado ainda não se aqueceu.

Na suinocultura, registrou-se baixa de -7,92% nas cotações reais no mês, na comparação janeiro de 2017. Segundo a equipe Suínos/Cepea, o ritmo de negócios no mercado costuma diminuir no início do ano, já que o volume de vendas no final de cada ano é maior, devido ao período de festas. No entanto, o mercado demorou para se aquecer em dezembro, o que prejudicou o planejamento dos agentes do setor. Frigoríficos priorizaram a venda dos estoques remanescentes, realizando promoções com o objetivo de elevar a liquidez. Nesse cenário, houve pressão sobre a atividade primária, reduzindo as cotações, apesar da oferta equilibrada de animais dentro da porteira.

Com relação à avicultura de corte, os preços reduziram-se em -3,18% (janeiro de 2018 frente a janeiro de 2017). Segundo pesquisadores da equipe Frango/Cepea, a baixa procura por carne diminuiu o ritmo de compras de frango vivo por parte de frigoríficos, mantendo os valores do animal em queda em janeiro. Com relação à postura, a equipe Ovos/Cepea aponta que o cenário de baixa nas cotações em janeiro (-13,59%) deve-se à típica demanda enfraquecida em começo de ano, reforçada pelas férias escolares. Além disso, a disponibilidade elevada do produto tem dificultado as negociações, permitindo lacunas muito amplas entre os preços ofertados em função de descontos verificados no mercado para elevação da liquidez.

SEGMENTO INDUSTRIAL: Crescimento da indústria de base agrícola impulsiona segmento industrial do agronegócio

O PIB do segmento industrial iniciou 2018 com alta de 0,87%. O resultado positivo de janeiro foi motivado pelo crescimento da indústria de base agrícola, que apresentou alta de 1,14% no mês, já que a indústria de base pecuária apresentou queda de -0,17% no mesmo período.

A perspectiva de aumento de 12,45% no faturamento da indústria agrícola reflete a alta estimada na quantidade média produzida (13,14%), apesar da ligeira queda nos preços médios do segmento (-0,61%).

No caso da indústria de base animal, a expectativa de redução de -0,55% no faturamento advém da queda de -3,16% nos preços médios, apesar da expansão de 2,69% estimada para a produção da indústria. Cabe destacar que as variações relacionadas à quantidade produzida da indústria de abate de animais devem apresentar significativa alteração na projeção dos próximos meses, tendo em vista a indisponibilidade de dados até o fechamento deste relatório.

As indústrias de base agrícola para as quais projeta-se expansão no faturamento são as seguintes: produtos de madeira, móveis de madeira, celulose e papel, biocombustíveis, têxtil e vestuário, café, conservas de frutas e outros, fumo, óleos vegetais, bebidas e outros produtos alimentares. Para as demais indústrias acompanhadas pelo CEPEA, as perspectivas são de queda no faturamento. O comportamento das indústrias agrícolas analisadas com dados até janeiro/2018 é apresentado na Figura 3.

A partir dos dados disponibilizados pelo IBGE, a estimativa é de expansão, em 2018, de 26,20% na produção da indústria de biocombustíveis (etanol) e pequena elevação de 0,28% nos preços de janeiro/2018 comparativamente a janeiro/2017. Segundo pesquisadores da equipe Etanol/Cepea, a perspectiva para 2018 é de que parcela maior da cana-de-açúcar seja direcionada à produção de etanol, em relação ao observado na safra 2017/18. Além dos preços internacionais de açúcar pouco remuneradores, a maior produção de etanol nesta temporada deve ocorrer devido à retomada do crescimento, ainda que modesto, da economia brasileira – e o consequente aumento de consumo de etanol e a maior liquidez proporcionada pelo etanol às unidades produtoras.

Na indústria açucareira, os preços recuaram 27,73% em janeiro/2018, com relação ao mesmo mês de 2017, e a perspectiva é de relativa estabilidade na produção anual (0,20%). Segundo a equipe Açúcar/Cepea, após duas temporadas consecutivas de déficit no balanço entre produção e consumo mundial de açúcar, as projeções para a atual (2017/18) safra global indicam mudança neste cenário. O aumento da produção na Índia, Tailândia e União Europeia vem fortalecendo expectativas de superávit para a safra 2018/19 e exercendo grande pressão sobre os preços.

A perspectiva de crescimento de 20,2% na produção da agroindústria de óleos vegetais, já vem afetando os preços dessa indústria. Em janeiro/2018 comparativamente a janeiro/2017 a queda de preços chegou a -7,76%. Segundo a Abiove, a projeção de alta na produção de óleos vegetais para 2018 deve-se à grande disponibilidade de soja no mercado. A equipe Grãos/Cepea ainda destaca que a antecipação da mistura de 10% de biodiesel (B10) ao diesel mineral, a partir de março/2018, favorecerá o maior esmagamento de soja no mercado doméstico, o que poderá ser confirmado tão logo os dos próximos meses sejam divulgados.

Nas indústrias Têxtil e de Vestuário, as perspectivas de expansão de faturamento seguem impulsionadas pelas evoluções tanto dos preços como dos indicadores de produção. Segundo informações da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), o setor tem se demonstrado otimista com a recuperação do mercado, investindo na produção. Porém, a associação destaca uma tendência de crescimento das importações, o que pode vir a prejudicar a atividade.

Com relação às indústrias pecuárias, os dados são apresentados na Tabela 5. É possível observar a leve alta no faturamento da indústria de abate, e queda nas demais.

Na indústria do abate, a perspectiva de crescimento de 0,59% no faturamento deriva   do crescimento de 3,79% na quantidade produzida e da queda de -3,10% nos preços de janeiro/2018 comparativamente aos observados em janeiro/2017. Segundo a equipe Boi/Cepea, as vendas de carne nesse início de ano, ainda não aqueceram no mercado atacadista. Já no front externo, as exportações brasileiras de carne bovina in natura têm apresentado bom ritmo, evitando maiores quedas nas cotações.

No mercado de suínos, a equipe Suínos/Cepea destaca que os estoques provenientes de dezembro nos frigoríficos e mercados levaram à redução dos preços em janeiro, tendo em vista a realização de descontos por parte dos agentes para garantir maior liquidez do produto. O desempenho das exportações de carne suína em janeiro foi significativamente inferior ao de janeiro/2017 devido ao embargo russo.

No caso da carne de aves, segundo a equipe Aves/Cepea, a demanda interna segue enfraquecida. E, no mercado exportador, também se verifica diminuição dos embarques. Ambos os fatores têm pressionado a remuneração da atividade.

Para a indústria de lácteos, o preço seguiu em um patamar baixo em janeiro de 2018 (com relação a janeiro de 2017), ainda motivado pela elevada oferta verificada em 2017. O início de 2018 tem sido marcado por melhor equilíbrio entre a oferta e a demanda nesse mercado, refletindo também na produção de derivados.

SEGMENTO DE SERVIÇOS:  refletindo o bom desempenho do segmento industrial, o segmento de serviços inicia 2018 com leve alta

Como observado na Tabela 1, os agrosserviços apresentaram alta de 0,18% em janeiro/2018. Esse desempenho ligeiramente positivo foi determinado pelo desempenho dos serviços do ramo agrícola, cuja alta foi de 0,43% no mês, já que os agrosserviços do ramo pecuário observaram retração de -0,32%. Já para a indústria de base agrícola, verifica-se relevante recuperação, com crescimento estimado para as principais atividades do segmento.

CONCLUSÕES

O Produto Interno Bruto (PIB) do Agronegócio Brasileiro iniciou 2018 praticamente estável, com uma variação de apenas -0,08%. Essa leve baixa em janeiro/2018 é resultado da das estimativas de retração de -1,95% no segmento primário do agronegócio e de crescimento nos demais segmentos: 0,18% dos agrosserviços, 0,51% dos insumos e 0,87% da agroindústria. Enquanto o ramo agrícola observou ligeira alta mensal de 0,04%, o pecuário registrou queda de -0,37%.

Ressalta-se que tais indicadores refletem estimativas iniciais de produção das atividades do agronegócio, e preços relativos restritos a janeiro de 2018. Dados importantes, como os de produção pecuária, ainda não estavam disponíveis para avaliação até o fechamento deste relatório e quando divulgados, tendem a impactar consideravelmente as análises aqui apresentadas.

ANEXO I – TABELAS, METODOLOGIA e DADOS DE PIB-VOLUME
A1) PIB do Agronegócio: Taxas de variação mensal, acumulado do período e anual (em %)

A3) PIB DO AGRONEGÓCIO - METODOLOGIA

O Relatório PIB do Agronegócio Brasileiro é uma publicação mensal resultante da parceria entre o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), da Esalq/USP, e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O agronegócio é entendido como a soma de quatro segmentos: insumos para a agropecuária, produção agropecuária básica (ou primária), agroindústria (processamento) e agrosserviços – como na Figura que segue. A análise desse conjunto de segmentos é feita para o ramo agrícola (vegetal) e para o pecuário (animal). Ao serem somados, com as devidas ponderações, obtém-se a análise do agronegócio.

Pelo critério metodológico do Cepea/Esalq-USP, o PIB do agronegócio é medido pela ótica do produto, ou seja, pelo Valor Adicionado (VA) total deste setor na economia. Ademais, avalia-se o VA a preços de mercado (consideram-se os impostos indiretos menos subsídios relacionados aos produtos). O PIB do agronegócio brasileiro refere-se, portanto, ao produto gerado de forma sistêmica na produção de insumos para a agropecuária, na produção primária e se estendendo por todas as demais atividades que processam e distribuem o produto ao destino final. A renda, por sua vez, se destina à remuneração dos fatores de produção (terra, capital e trabalho).

Após estimado o valor do PIB do agronegócio no ano-base, que desde janeiro/17 refere-se ao ano de 2010, parte-se para evolução deste valor de modo a se gerar uma série histórica, por meio de um amplo conjunto de indicadores de preços e produção de instituições de pesquisa e governamentais. Seja para a estimação anual do valor do PIB, ou para as reestimativas mensais das previsões anuais, consideram-se informações a respeito da evolução do Valor Bruto da Produção (VBP) e do Consumo Intermediário (CI) dos segmentos do agronegócio. Pela evolução conjunta do VBP e do CI, estima-se o crescimento do valor adicionado pelo setor. 

Com base nos procedimentos mencionados e processos adicionais realizados pelo Cepea, os cálculos do PIB do agronegócio resultam em dois indicadores principais, que retratam o comportamento do setor por diferentes óticas:

•             PIB-renda Agronegócio (equivale ao PIB divulgado anteriormente pelo Cepea): reflete a renda real do setor, sendo consideradas no cálculo variações de volume e de preços reais, sendo estes deflacionados pelo deflator implícito do PIB nacional.

•             PIB-volume Agronegócio: PIB do agronegócio pelo critério de preços constantes. Resulta daí a variação apenas do volume de produção. Este é o indicador de PIB comparável às variações apresentadas pelo IBGE.

Mensalmente, o foco de análise principal é o PIB-renda Agronegócio, que reflete a renda real do setor. Por conveniência textual, o PIB-renda do agronegócio é denominado apenas como PIB do Agronegócio ao longo deste relatório. Destaca-se que as taxas calculadas para cada período consideram igual período do ano anterior como base, exceto para as quantidades referentes às safras agrícolas, para as quais computa-se a previsão de safra para o ano (frente ao ano anterior).

Importante também destacar que cada relatório considera os dados disponíveis – preços observados e estimativas anuais de produção – até o seu fechamento. Em edições futuras, ao serem agregadas informações mais atualizadas, há a possibilidade, portanto, de ocorrer alteração dos resultados, tanto no que se refere ao mês corrente, como também ao que se refere a meses e anos passados. Recomenda-se, portanto, sempre o uso do relatório mais atualizado. Para uma análise mais detalhada dos aspectos metodológicos, bem como dos resultados dos demais indicadores (PIB volume, Consumo Intermediário, etc.) ver http://www.cepea.esalq.usp.br/br/pib-do-agronegocio-brasileiro.aspx

 


[2] As estimativas não contemplam dados de volume de produção das atividades do segmento primário (bovinos, frango, ovos, suínos e leite) relativos a 2018, ainda não divulgados pelo IBGE.


[1] Ressalta-se porém que, devido à indisponibilidade de informações, este relatório não contempla a quantidade produzida de importantes atividades do agronegócio brasileiro. Nestes casos, apenas as evoluções de preços são incorporadas às análises. As disponibilidades/indisponibilidades de dados serão detalhadas e destacadas ao longo deste relatório.

 

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