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10/07/2018

Queda na produção do milho reduz estimativa da safra de grãos da CONAB

Por Superintendência Técnica da CNA

O décimo Levantamento de Safra de Grãos 2017/2018, divulgado no dia 10 de julho pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), estima uma produção de grãos de 228,52 milhões de toneladas, queda de 0,5% se comparado ao relatório de junho. Com esse novo ajuste, a produção nacional terá queda de 3,9% se comparada com a safra passada.

Na avaliação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com o avanço da colheita do milho safrinha, novos ajustes devem ser realizados e a produção deverá fica próxima a 225,4 milhões de toneladas, queda 5,1% em relação à última safra.

Figura 01: Levantamento de área e produção para os principais grãos no Brasil.

SOJA

A colheita está finalizada e a produção foi ajustada para 118,89 milhões de toneladas. Esse montante colhido ficou muito acima das estimativas iniciais apontadas pelos principais agentes de mercado após o plantio da oleaginosa. Em meados de novembro, as estimativas apontavam para uma safra de aproximadamente 107 milhões de toneladas, entretanto, as excelentes condições climáticas na maioria dos estados foram preponderantes para que esse novo recorde fosse alcançado.

De acordo com o projeto do Campo Futuro, foi constatado que o fertilizante teve aumento de até 10% em algumas regiões. Para os defensivos, os estados de Santa Catarina (SC) e Rio Grande do Sul (RS) tiveram queda dos gastos com esse insumo. Para os estados de Mato Groso do Sul e Minas Gerais houve maior gasto com defensivos para o controle de percevejo e algumas ervas daninhas.

Com relação ao Custo Operacional Efetivo (Custo Desembolso), foi identificado que os valores dessa safra ficaram muito próximos ao da safra passada. Em algumas regiões pontuais teve incremento de até 5%, com destaque para os aumentos para a mão-de-obra e óleo diesel. De forma geral, a rentabilidade para os produtores de soja foram melhores que a safra passada sendo que em alguns casos a margem líquida teve um incremento superior a 10%.

Para os produtores que estão com a soja armazenada na fazenda, a preocupação se volta para o imbróglio da tabela de frete. Mesmo com os bons preços da soja no mercado nacional, a comercialização está mais lenta devido à insegurança com relação aos custos de transportes. Para os estados do Centro Oeste, a soja que ainda está armazenada trará transtorno para o produtor que está começando a colher o milho safrinha.

Para a próxima safra, os preços dos fertilizantes do mês de maio de 2018 estão em média de 10% a 18% superiores ao mesmo mês do ano passado. Para os defensivos, os preços estão indicando queda para o Sul e Centro Oeste e leve aumento para a região do MATOPIBA. Analisando o custo operacional efetivo (custo desembolso), a previsão é de aumento de 3,5 a 8% respectivamente para Sorriso/MT e Barreiras/BA.

MILHO

A colheita do milho safrinha está em andamento e a previsão de queda da produtividade vem se confirmando. De acordo com a CONAB, a produção desse cereal está estimada em 56,02 milhões de toneladas ante 58,22 milhões de toneladas (-16,9%) divulgadas em junho. As estimativas da CNA apontam para uma produção próxima a 53 milhões de toneladas.

As estimativas iniciais apontavam para uma produção acima de 63 milhões de toneladas, entretanto, a estiagem que ocorreu em meados de maio e junho principalmente no Mato Grosso do Sul, Paraná, parte de Goiás e do Mato Grosso, reduziram a produtividade.

A CNA esteve percorrendo o estado do Mato Grosso do Sul e identificou que a perda de produtividade no estado deve ficar acima dos 30%. Entretanto, comparando com a safra passada onde o Brasil colheu safra recorde de milho, os preços ofertados pelo cereal estão superiores e isso deve contribuir para minimizar os prejuízos dos produtores. Mesmo com a melhora da receita, a margem líquida apresenta prejuízo em média de R$ 110 na região sul do estado até R$430 na região norte.

Figura 02: Encontro com produtores no Mato Grosso do Sul

Fonte: CNA/Cepea

A colheita do Mato Grosso vem ganhando ritmo e já é possível identificar situações em que o milho está sendo armazenado a céu aberto. Isso vem acontecendo nos últimos anos pela defasagem da capacidade de armazenamento estática do estado e a opção do silo bag demanda mais trabalho e deixa a operação mais lenta. Há relatos que o problema ocasionado pela tabela de frete pode estar contribuindo para esse armazenamento a céu aberto.

Figura 03: Armazenamento de milho a céu aberto no Mato Grosso em 2017

Foto: Aprosoja/MT

As estimativas iniciais da CNA apontavam uma exportação acima dos 34 milhões de toneladas ocasionadas pela quebra da produção da Argentina e pela expectativa de boa produção nacional. Entretanto, com a queda da produção nacional e a elevação dos preços no mercado interno, as exportações devem ficar abaixo dos 30 milhões de toneladas. Dessa forma, os estoques internos devem cair dos 17 milhões de toneladas da safra passada para volumes próximos a 8 milhões de toneladas.

ALGODÃO

A colheita do algodão está em andamento e as estimativas indicam uma produção de 1,964 milhão de toneladas de pluma, maior produção colhida no Brasil. Os bons preços ofertados pela fibra incentivaram aumento de área de 25,2%, passando de 9,39 para 1,176 milhão de hectares. Essa é a segunda safra consecutiva que a produtividade e a qualidade de fibra estão acima da média e isso deve garantir rentabilidade positiva aos cotonicultores.

A estimativa é de que o Brasil exporte mais de 1,01 milhão de toneladas de pluma ante 834 mil toneladas exportadas na safra passada. As exportações vinham se mantendo abaixo das 900 mil toneladas devido aos baixos preços internacionais e a baixa produção brasileira. A exportação dessa safra é a maior desde a safra 2011/2012.

Para a próxima safra já se espera um novo aumento de área para todos estados produtores incentivado pelos bons preços que estão sendo ofertados pela pluma.

 

 

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